Romper com Márcia Conrado fez Raquel Lyra disparar em Serra Talhada, transformando a prefeita em um fardo para o projeto de João Campos
Os números divulgados pelo Instituto Múltipla, em parceria com o Farol de Notícias, acenderam um sinal de alerta no grupo da prefeita Márcia Conrado. A pesquisa revelou que 70% dos serra-talhadenses aprovam o governo Raquel Lyra, um índice expressivo no maior colégio eleitoral do Sertão do Pajeú.
Acima da média estadual
O dado ganha ainda mais relevância quando comparado ao cenário estadual. No levantamento do Múltipla em Pernambuco, a governadora aparece com 62% de aprovação, 26% de desaprovação e 12% de indecisos. Ou seja: em Serra Talhada, Raquel supera sua própria média estadual em oito pontos percentuais.
O salto pós-rompimento
Outro indicador chama atenção nos bastidores. Em julho de 2025, quando ainda contava com o apoio da prefeita Márcia Conrado, Raquel registrava 50% de aprovação no município. Após o rompimento político, o índice saltou para 70%, uma alta de 20 pontos percentuais.
Arco de alianças encorpado
O cenário reforça o peso do grupo que dá sustentação à governadora em Serra Talhada. Estão no mesmo palanque o deputado estadual Luciano Duque, o pré-candidato a federal Miguel Duque, o ex-deputado federal Sebastião Oliveira e o deputado federal, Waldemar Oliveira, além do ex-prefeito Carlos Evandro, recém-incorporado à aliança.
Embate e projetos
Do outro lado da disputa, a prefeita Márcia Conrado emparelha o jogo contra João Campos, impondo sua força política no território para garantir espaço e tentar eleger o marido, Breno Araújo, a deputado estadual.
Confrontos sequenciais com Raquel
O crescimento da governadora ganha contornos ainda mais emblemáticos quando se observa o histórico recente de confrontos entre o Governo do Estado e a gestão municipal de Serra Talhada. Um dos episódios de maior repercussão ocorreu quando a prefeita Márcia Conrado recusou o recebimento de uma ambulância UTI Móvel de Suporte Avançado Tipo D disponibilizada pelo Governo de Pernambuco, alegando que o município não teria condições de arcar com os custos de manutenção do serviço. A decisão gerou forte repercussão política, ultrapassou as fronteiras do Estado e ganhou destaque na imprensa nacional.
Na sequência, novos embates marcaram a relação entre os dois governos, como as divergências em torno das intervenções no Residencial Vanete Almeida e, posteriormente, a disputa sobre as creches estaduais. O conflito se intensificou após a Assembleia Legislativa aprovar a denominação oficial das unidades, enquanto a gestão municipal questionava a forma como os equipamentos eram apresentados e identificados. A sucessão de confrontos, no entanto, não produziu o desgaste esperado para o Governo do Estado. Ao contrário, os números da pesquisa indicam que a estratégia de enfrentamento acabou coexistindo com um cenário de fortalecimento da imagem da governadora junto ao eleitorado local.
Cobranças urbanas
Esses episódios somam-se a reclamações recorrentes da população sobre limpeza urbana, infraestrutura e manutenção dos serviços básicos, alimentando a insatisfação popular.
Falta de protagonismo?
Chamou atenção também a percepção de que, apesar da aliança estratégica, a prefeita pouco protagoniza agendas públicas em defesa do projeto estadual do PSB em Serra Talhada. A crítica circula, inclusive, entre aliados do próprio grupo governista local.
Presença constante
Enquanto isso, a base da governadora mantém agenda ativa no município, acompanhando inaugurações, divulgando investimentos estaduais e fazendo a defesa permanente do Governo de Pernambuco.
O recado de 2026
O recado de Serra Talhada é claro: Raquel chega fortalecida. Para o grupo de Márcia Conrado, o sinal vermelho acendeu e o desafio rumo a 2026 será bem maior do que o esperado.
Do Júnior Campos
