Saúde em Pernambuco vira alvo de embate na Alepe: oposição denuncia cortes e governo reage destacando investimentos
As discussões sobre a situação da saúde pública em Pernambuco dominaram os debates na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) nesta terça-feira (26), após deputados estaduais da oposição apresentarem um relatório com denúncias sobre suposta redução de investimentos no setor. Em resposta, parlamentares da base governista ocuparam a tribuna para defender a gestão estadual e destacar obras, equipamentos e ações em andamento.
Durante entrevista coletiva na Alepe, deputados de oposição afirmaram que Pernambuco teria reduzido em cerca de R$ 1,5 bilhão os investimentos na saúde desde 2022, último ano da pandemia da Covid-19. O levantamento, segundo os parlamentares, foi elaborado com base em relatórios enviados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) ao Poder Legislativo.
Presidente da Comissão de Saúde da Casa, Sileno Guedes afirmou que a diminuição nos gastos teria provocado redução no número de leitos, fechamento de unidades hospitalares e agravamento da superlotação na rede estadual.
“O que a gente está constatando aqui é justamente o colapso da saúde pública de Pernambuco pela redução de investimentos, fechamentos de unidades públicas de saúde e redução de leitos”, declarou o parlamentar.
O relatório apresentado pela oposição aponta uma redução de 226 leitos entre 2022 e 2026. Entre as unidades citadas estão o Hospital Jesus Nazareno, em Caruaru, o Hospital de Retaguarda em Neurologia, no Recife, e o Hospital Central de Paulista.
Ainda segundo os deputados, os investimentos na saúde teriam caído de 18,8% da receita corrente líquida do Estado em 2022 para cerca de 15% nos anos seguintes, apesar do cumprimento do mínimo constitucional de 12%.
Do outro lado, o Governo do Estado rebateu as críticas. A governadora Raquel Lyra negou que tenha ocorrido corte de recursos na área. Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde informou que o orçamento executado na saúde passou de R$ 8,67 bilhões em 2022 para R$ 11,42 bilhões em 2025, representando um crescimento real de R$ 2,74 bilhões.
Na tribuna da Alepe, o deputado Luciano Duque também saiu em defesa da gestão estadual. Segundo ele, embora a saúde enfrente problemas históricos e estruturais, o governo vem realizando ações para reorganizar a rede sem interromper o atendimento à população.
“Tenho visto obras acontecendo, equipamentos chegando, maternidades sendo construídas, novos serviços sendo implantados e os hospitais regionais sendo fortalecidos, além de toda a rede hospitalar aqui da capital”, afirmou.
A líder do governo na Alepe, Socorro Pimentel reforçou a defesa da gestão estadual, citando reformas em hospitais da Região Metropolitana do Recife, aquisição de equipamentos para unidades do interior e investimentos recentes no Sertão do Araripe.
Entre as ações destacadas pela parlamentar estão a entrega de um mamógrafo para Ouricuri, a construção de uma nova maternidade no município, obras da Adutora de Negreiros, pavimentação da VPE-700, construção de uma creche e de um Centro de Atendimento Multidisciplinar Especializado.
“Durante muito tempo, o povo sertanejo ouviu promessas. Mas Pernambuco vive hoje uma nova realidade, e a governadora tem demonstrado com trabalho que o Sertão voltou a ser prioridade”, declarou.
O debate expôs mais uma vez o confronto entre oposição e governo em torno dos números e da realidade da saúde pública no Estado, tema que segue no centro das discussões políticas em Pernambuco.
