Sem titular na Secretaria da Mulher há quase dois meses, Márcia Conrado diz que “não estou com muita pressa”: Serra Talhada já soma 343 vítimas de violência em 2026

Em entrevista concedida ao radialista Francys Maya, a prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado, respondeu sobre a vacância em pastas estratégicas do primeiro escalão municipal. O principal ponto de cobrança tem sido a Secretaria da Mulher, que está sem uma titular oficial desde o dia 11 de abril, quando Vera Gama deixou o cargo, totalizando quase dois meses de interinidade.

Questionada sobre quando anunciaria as novas lideranças para a Mulher e também para a Secretaria de Governo, Márcia minimizou a urgência das nomeações, argumentando que a atual estrutura administrativa tem dado conta das demandas.

“O governo já está trabalhando em muita sintonia {…], trabalho exemplar na Secretaria da Mulher. Às vezes, eu ajo com mais cautela, porque se você coloca alguém de forma errada num local que está funcionando muito bem, você pode atrapalhar. […] Então, não estou com muita pressa para que isso aconteça porque não está atrapalhando o desenvolvimento das ações”, declarou a prefeita.

Os números da violência em Serra Talhada

A declaração de que a prefeita “não está com muita pressa” para oficializar a nova titular da pasta contrasta com a realidade urgente mostrada pelos indicadores de segurança pública. Dados extraídos diretamente da plataforma oficial do programa Juntos pela Segurança, do Governo de Pernambuco (com dados computados entre 01/01/2026 e 31/05/2026), revelam que Serra Talhada enfrenta um cenário alarmante de criminalidade doméstica contra o público feminino:

  • Total de Ocorrências: Em apenas cinco meses, o município já registrou 343 vítimas de violência doméstica/familiar.

  • Média diária: A cidade mantém uma média indigesta de 2,3 ocorrências por dia.

  • Taxa de incidência: O índice é de 345,8 casos para cada 100 mil habitantes.

  • Perfil das vítimas: Mulheres adultas na faixa de 35 a 64 anos são as principais vítimas (158 casos), seguidas por jovens de 25 a 29 anos (48 casos) e de 18 a 24 anos (47 casos).

  • Natureza dos crimes: A ameaça por violência doméstica lidera o ranking com 170 queixas, seguida de perto por lesão corporal por violência doméstica, com 90 registros formais.

O gráfico da série histórica detalha que o ano começou violento, registrando 74 casos em janeiro, flutuando para 62 em fevereiro, subindo novamenteS para 74 em março, 72 em abril e fechando o mês de maio com 61 ocorrências.

O panorama estadual

No mapa geral de Pernambuco, a distribuição geográfica do perigo coloca a região do Sertão em estado de alerta máximo. Enquanto o Recife lidera de forma isolada os números absolutos no estado, o interior vê duas forças regionais se destacarem negativamente: Petrolina e Serra Talhada figuram entre os municípios mais violentos para as mulheres no estado, liderando os índices em suas respectivas áreas geográficas do Sertão.

Enquanto a oposição e setores da imprensa cobram o fortalecimento e a liderança política efetiva na Secretaria da Mulher para frear esses indicadores, a gestão municipal assegura que a pasta segue operando em sintonia por meio de sua equipe técnica, sem previsão para a chegada de uma nova secretária.

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