“Virou um faroeste”, diz jovem atingida por tiros na Estação do Forró em Serra Talhada
O que era para ser uma noite de celebração cultural e união familiar no tradicional São João da Estação do Forró transformou-se em um cenário de horror, correria e violência generalizada. Um tiroteio na madrugada deixou um saldo trágico de uma pessoa morta e mais de uma dezena de feridos, incluindo cinco policiais militares.
Entre as vítimas civis está a jovem Rafaela, que utilizou suas redes sociais em um vídeo intitulado, para relatar os momentos de desespero que viveu ao ser atingida por dois disparos de arma de fogo na perna esquerda. O desabafo traz duras críticas à organização do evento e à atuação das forças de segurança.
O momento do impacto e o socorro
Rafaela relatou que o tumulto começou após um homem se envolver em uma discussão no pátio do evento. Segundo ela, a reação armada transformou o local imediatamente. “Ele dispara contra os policiais, os policiais disparando contra ele. Eram mais de cinco policiais disparando contra ele. E, simplesmente, a gente estava na frente”, relembrou no arquivo de vídeo.
A jovem conta que só percebeu a gravidade da situação após tentar fugir do local após ouvir alertas de que havia alguém armado. “Eu só escutei quando falaram assim: ‘ele está armado, é tiro’. Que eu olho para trás, que eu vou correr, eu só senti o impacto na minha perna.” Ela relata que, no calor do momento, não sentiu a dor imediata, mas ao olhar para baixo percebeu que estava sangrando abundantemente.
Rafaela foi socorrida com a ajuda de amigos no local, citando nominalmente o apoio de pessoas próximas como Karen e Chico, que a ajudaram a subir um barranco para escapar da área de perigo. Uma das balas atingiu a jovem de raspão, mas a outra permanece alojada em sua canela. De acordo com o depoimento médico repassado por ela no arquivo, uma cirurgia imediata não foi possível devido ao risco de hemorragia, obrigando-a a esperar um período de 15 dias de cicatrização para a remoção do projétil.
Críticas ao despreparo e à falta de segurança
Bastante abalada, a sobrevivente direcionou seu depoimento para questionar a falta de estrutura básica de segurança pública em um evento de grande porte, estimando que o local abrigava muito mais do que as centenas de pessoas inicialmente previstas.
“Ali é um ambiente de festa, de família. Imagina se uma bala dessa pega numa criança? Imagina se uma bala dessa pega num idoso? Cadê a segurança? Cadê a segurança pública? Por que é que simplesmente numa festa que vai ter mais de 100 pessoas não tinha uma revista na hora da entrada?”, cobrou Rafaela no vídeo “Vai ficar tudo bem!
Ela classificou a atuação policial diante da multidão como “despreparada” e descreveu o fogo cruzado como um cenário de terra sem lei: “Dali virou literalmente um faroeste, começou só o tiroteio e boa sorte para quem estivesse na frente.”
O trauma e o medo do retorno
Apesar de celebrar o fato de estar viva e com a integridade física preservada, o impacto psicológico da tragédia deixou marcas profundas. Rafaela foi categórica ao afirmar que o sentimento de insegurança roubou o seu desejo de frequentar eventos públicos na região.
“É muito doloroso e chato de pensar assim: eu, Rafaela, eu não quero mais pisar numa festa aqui em Serra. Eu não quero, por medo. Porque eu não sei o que é que pode acontecer novamente lá”, concluiu a jovem, simbolizando o sentimento de centenas de famílias que tiveram o feriado interrompido pelo medo.
Do Júnior Campos
