Vorcaro diz em depoimento que gostaria de delatar pessoas do governo Lula

Em depoimento prestado na semana passada a um juiz assessor do gabinete do ministro André Mendonça, o banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que gostaria de delatar integrantes do atual governo Lula. A oitiva aconteceu sem a participação da Polícia Federal e teve como foco central a atuação da corporação no caso, com atenção especial à conduta do diretor-geral, Andrei Rodrigues.

Segundo o relato de Vorcaro, as tentativas de firmar um acordo de delação premiada não avançaram porque os policiais federais teriam tentado blindar o chefe da corporação de possíveis menções ao seu nome, além de alegar que delegados não demonstraram interesse no que ele tinha a delatar. O banqueiro também afirmou que mantinha uma relação com Andrei Rodrigues antes mesmo das investigações sobre a fraude do Banco Master e que os dois teriam viajado juntos, embora não tenha apresentado provas detalhadas sobre o vínculo.

Acusações de perseguição e justificativa para a oitiva

Vorcaro declarou ainda que não pretendia se passar por vítima, mas justificou que criou relacionamentos com figuras relevantes do poder para se proteger de supostas retaliações de concorrentes de mercado, passando a patrocinar eventos com esse objetivo. Ele classificou as medidas como infrutíferas após ser preso e ter o banco liquidado pelo Banco Central. O investigado também reclamou de ter sido preso em novembro, logo após o anúncio de venda do Master para um consórcio da Fictor, e classificou a prisão como perseguição concorrencial, voltando a defender a negociação anterior com o Banco Regional de Brasília (BRB).

Questionado sobre o procedimento, o gabinete do ministro André Mendonça esclareceu que o depoimento ocorreu a pedido da defesa do banqueiro, que alegava que Vorcaro estaria sofrendo intimidações e ameaças na prisão. Segundo o gabinete, a ausência da Polícia Federal serviu como uma garantia institucional para preservar a integridade física e psicológica do investigado. Paralelamente, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu o arquivamento das denúncias referentes a essas supostas ameaças por falta de fatos concretos.

Fonte: Band

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