As façanhas da turma da Padre Ferraz e o acidente com Dona Quitéria

Por Ananias Solon, zootecnista, historiador e escritor

 

Tempos bons, os tempos de outrora em nossa saudosa Serra Talhada.

Quando não existia esse tal de avanço cibernético. Nas ruas os garotos se organizavam em galeras dos amiguinho das suas vizinhanças, sempre aliado a escola com divertimentos e alegria.

Assim era a turma da rua Pe. Ferraz, a turma da Cirilo Xavier, a da Agostinho nunes (Cine Plaza), a da Rua 15, e outras.

Era tudo diferente dos tempos atuais, existia uma amizade fiel, éramos extrovertidos, as brincadeiras eram divertidas e saudáveis, adrenalina a todo vapor.

Não existia vândalos nas ruas. Lembro-me que éramos chamados carinhosamente pelos nossos nomes ou apelidos; como também, éramos reconhecidos pelas nossas linhagens familiares.

Ananias (Nenim) de dona Luiza de seu Expedito Carteiro, Carlinho (Galego) de dona Mariquinha de seu Pedro Ferreira da Collier, Carlos Augusto (Fifi) de dona Lia de seu Tota do DNOCS, Rudimar de dona Eurides de seu Jonas, Arthur (Leão) de dona Zefinha de seu Fortunato, Jose Carlos (Dim) de dona Selma de seu Nizim, Marcelo de dona Niceia de Cabo Dão, Mano de dona Lila de seu Neco Maranhão; e tantos outros.

Lembro-me que alguns tinha CACOETES, Rudimar falava fazendo careta e cuspindo no chão, Romildo (in memoriam), falava piscando e arregalando os olhos, Albertin, Fifi, Aristide (in memoriam) Corrinha, todos irmãos, falavam gaguejando. Impressionante! Éramos felizes e não sabíamos, vivíamos em plena harmonia, nunca houve esse tal de BULLYING da nova geração.

MAIS UM CASO

Mas o caso eu conto como o caso foi: Menino raiz tinha coragem, viu! Entrar num PNEU para ver o mundo girar. Era um final de semana, todos de férias, estávamos reunidos a patota toda, no lugar estratégico; esquina da Padre Ferraz com a Cirilo Xavier.

Nessa época, não existia calçamento e nem asfalto, estávamos brincando com uns pneus da caçamba da Collier, que Carlinho arranjou pra gente fazer corrida se empurrando, numa competição pra quem chegar primeiro no final da Rua Cirilo Xavier, que era em descida.

De repente, surgiu um desafio para quem tivesse a coragem de entrar no pneu, tipo caracol e a gente empurrar de ladeira abaixo. Ninguém topou e numa tremenda façanha, decidirmos no impar ou par, quem entraria no pneu. Sobrou pra mim, inclusive era o mais miúdo da turma.

Aí com toda coragem, me agachei e com ajuda dos companheiros entrei no dito pneu, que em seguida, começaram a embalar o pneu de rua abaixo, eles perderam o controle do pneu que pegou velocidade, no final da rua em frente a loja de dona Dja Torres (in memoriam), dona Quitéria tinha problema de locomoção, ia atravessando a rua devagarinho, o pneu pegou ela de cheio, foi o maior alvoroço do mundo.

De imediato, minha mãe chegou com Dona Mariquinha e Dona Lia para acudir aquela situação. Enfim, Dona Quitéria ficou sã e salva e nós ganhamos uma bela surra como prêmio daquela tremenda corrida de pneu.

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