Clima esquenta na Câmara após eleição: China fala em “R$ 300” e Zé Raimundo dá o troco
A primeira sessão da Câmara de Vereadores de Serra Talhada após a apuração do primeiro turno das eleições de 2026 foi marcada, além dos tradicionais agradecimentos pela votação obtida pelos candidatos apoiados pelos parlamentares, por um discurso de forte tom político e uma resposta na sequência.
O vereador China Menezes, aliado do grupo de Luciano Duque, aproveitou a tribuna para fazer uma avaliação do resultado eleitoral e afirmou que seu grupo saiu “grande” e “vitorioso” das urnas. Luciano Duque foi eleito deputado estadual e obteve uma votação expressiva em Serra Talhada, em uma disputa marcada pelo confronto político com Breno Araújo, também eleito para a Assembleia Legislativa de Pernambuco e apoiado pela prefeita Márcia Conrado.
Ao comentar o resultado, China afirmou que o grupo do qual faz parte, apesar de ser “muito pequeno”, alcançou quase 15 mil votos, atribuindo o resultado ao que chamou de “voto consciente” do eleitor.
Na sequência, o vereador fez críticas ao que classificou como práticas utilizadas durante a campanha eleitoral.
“Saímos grandes, vitoriosos, onde nós temos um grupo muito pequeno e sai com quase 15 mil votos, com o voto consciente das pessoas, não comprando com cesta básica, comprando um voto por 300 reais, mobilizando todo o cargo comissionado pra se obrigar a ser majoritário e eleger o seu esposo.”
Embora tenha afirmado que não se tratava de um discurso de ódio ou rancor, China deixou clara a preocupação com os rumos políticos de Serra Talhada.
“Não estou fazendo um discurso de ódio, de rancor, disso não. Estou fazendo um discurso porque eu me preocupo com Serra Talhada.”
China também fez questão de separar a crítica política da relação pessoal com Breno Araújo.
“Fui base, se dava muito bem, não tenho o que falar da pessoa de Brenno Araújo.”
Zé Raimundo rebate
Logo depois, o vereador Zé Raimundo ocupou a tribuna e fez uma fala que funcionou como resposta às críticas feitas anteriormente.
Sem citar diretamente China, Zé Raimundo questionou a ideia de que determinados métodos teriam sido utilizados por um grupo específico para obter votos e afirmou que também não teria visto vereadores utilizando práticas semelhantes.
“Como também não vi nenhum dos companheiros aqui utilizando os métodos dos 300, das feiras e de tantas outras coisas. Não é necessário isso.”
O vereador também defendeu que o processo eleitoral ficou para trás e que o resultado das urnas deve ser respeitado.
“O processo passou. Ninguém muda a história. Ninguém muda o sentimento das pessoas e ninguém muda o reconhecimento.”
Zé Raimundo ainda afirmou que não existe uma fórmula única para vencer uma eleição e defendeu que cada político possui sua própria maneira de conquistar o eleitor.
“Não existe cartilha que ensine qualquer que seja o político ganhar uma eleição, porque cada um tem o seu jeito de fazer e a sua forma de conquistar.”
A fala prosseguiu com referências aos vereadores e servidores comissionados que estiveram no poder, reforçando o tom de disputa política que marcou a sessão.
Do Júnior Campos
