“Foi Nailson Gomes que pediu para tirar”: Jaime Inácio cobra colega por pedido de vista de projeto que dá nome a posto de saúde, e Nailson rebate: “essa questão do cabestro já passou”

A sessão da Câmara de Vereadores de Serra Talhada, desta terça-feira (22), teve um segundo momento de tensão além da rejeição da moção de repúdio apresentada pelo vereador Gilliard Mendes (PT) contra a governadora Raquel Lyra.

O embate da vez aconteceu entre os vereadores Jaime Inácio e Nailson Gomes, após um pedido de vista em um projeto relacionado à denominação do posto de saúde da comunidade de Chocalho.

Jaime Inácio subiu à tribuna visivelmente contrariado. Segundo ele, antes do início da obra, teria conversado com a “autoridade máxima” e recebido autorização para utilizar o nome de Pedro Nunes de Magalhães, morador falecido da região, na denominação da unidade.

Ao reclamar do pedido de vista, Jaime fez questão de citar o nome de Nailson e, durante sua fala, direcionou o recado à família do homenageado.

“Filho, filha, irmão, primos, parente de Seu Pedro Nunes de Magalhães… olhe, aqui foi tirado de pauta e foi o Nailson Gomes que pediu para tirar.”

Em tom de cobrança, Jaime afirmou que nunca teria feito algo semelhante com projetos apresentados por outros vereadores, principalmente integrantes da base.

“Eu nunca fiz isso com projeto de nenhum vereador desses aqui, principalmente da base. Como é que faz um negócio desse?”

Na sequência, Nailson Gomes foi à tribuna para rebater Jaime e fez questão de esclarecer que não havia retirado o projeto de pauta, mas solicitado vista, procedimento previsto no regimento da Casa.

“Não foi tirado de pauta, foi feito um pedido de vista que, quem conhece o regimento da Casa, me permite que faça isso. Não quer dizer que o projeto não vai tramitar.”

Mas Nailson foi além da questão regimental e colocou um componente político na resposta. Ao falar sobre a disputa por votos e influência política, afirmou:

“Absurdo estar gladiando por voto, nem por… até porque essa questão do cabresto e do território já passou. A gente vive num Estado Democrático de Direito onde as pessoas têm o direito de escolha, o direito de ir e vir.”

A declaração veio na sequência da cobrança pública feita por Jaime e acrescentou uma dimensão política ao episódio, principalmente ao mencionar a ideia de “cabresto” e “território” no contexto da disputa eleitoral e da atuação política na região.

Nailson também rejeitou qualquer interpretação de que o pedido de vista tivesse sido motivado por ciúme político. Segundo ele, havia questões que precisavam ser esclarecidas antes da votação definitiva do projeto.

O vereador citou, entre esses pontos, uma promessa de que o nome da pessoa responsável pela doação da área seria utilizado na denominação da unidade.

Ao tratar especificamente do posto de saúde, Nailson afirmou que a obra é uma iniciativa da gestão da prefeita Márcia Conrado e afastou a ideia de disputa pela autoria. Nailson ainda afirmou que o pedido de vista teve como objetivo evitar problemas posteriormente.

“Para evitar mais transtorno lá na frente, a gente pediu um pedido de vista para que ficasse tudo bem esclarecido, não para causar polêmica.”

O vereador também reforçou que não pretende transformar a discussão em uma disputa dentro do grupo político.

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“A gente não está aqui para causar divisão, a gente está para somar.”

O episódio terminou com Jaime tornando público o nome do vereador que pediu vista do projeto e Nailson respondendo não apenas sobre o procedimento legislativo, mas também com um recado político sobre voto, “cabresto”, “território” e liberdade de escolha.

A troca expôs mais uma fissura no plenário em uma sessão que já havia revelado divergências dentro da própria base governista.

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