A situação do Cemitério Público de Serra Talhada voltou ao centro dos debates na Câmara Municipal. Durante a 35ª Sessão Ordinária, realizada nesta terça-feira (3), o vereador China Menezes voltou a denunciar as condições do equipamento e direcionou críticas à prefeita Márcia Conrado. Já o líder do governo na Casa, Giliard Mendes, reconheceu a existência de um problema histórico e propôs que os parlamentares discutam a destinação de emendas impositivas para viabilizar intervenções no local.

 

China volta a cobrar a prefeita e relata insegurança no cemitério

Em seu pronunciamento, China afirmou que esteve no cemitério na segunda-feira (2), durante o Dia de Finados, e disse ter ouvido reclamações de pessoas que visitavam familiares sepultados no local. O vereador destacou problemas de conservação e também relatou um episódio de furto durante a celebração religiosa.

“Ontem, eu estive lá no cemitério público por volta de três horas, estive lá no cemitério, onde participei da missa e também ouvindo as pessoas, e naquele momento ali me doeu muito no coração. E eu quero fazer um apelo à prefeita Márcia Conrado, pelo amor de Deus, dê uma pausa nos seus escargots que a senhora gosta de comer, venha para Serra Talhada. A senhora foi eleita para trabalhar pelos serra-talhadenses”, declarou.

O parlamentar também afirmou que o muro já havia sido alvo de denúncia anterior, sem que, segundo ele, providências fossem tomadas.

“O muro já tem uns sete meses que eu fui lá, que gravei, mas não foi tomado providências. Segurança, nem se fala. Ontem, a missa acontecendo, pessoas lá e os usuários de droga fizeram um furto, carregaram uma porta com o mesmo de gente lá”, disse.

China ainda questionou as condições oferecidas às famílias que visitam o cemitério para prestar homenagens aos parentes. “Como é que você vai para um cemitério visitar um ente querido que tem várias pessoas que iam duas, três vezes no cemitério? (…) Hoje, onde era um momento para você estar ali, baixar sua cabeça, chorar, estar ao lado de seus pais, de um irmão, de um filho, não pode. Por quê? A insegurança, o abandono”, afirmou.

O vereador também criticou a administração municipal e disse que continuará cobrando explicações sobre a situação da cidade.

Líder do governo reconhece problema histórico e propõe destinação de emendas

Na sequência, Giliard Mendes abordou diretamente a situação do cemitério. O vereador reconheceu que o problema se arrasta há diferentes gestões e defendeu que a Câmara discuta alternativas para buscar uma solução, inclusive com a participação do Executivo.

“Em relação ao cemitério, vereador China, realmente é um problema histórico na nossa cidade, assim como tem outros pontos que esta Casa merece, de verdade, colocar o problema em cima da mesa e realmente discutir. Aí é o exemplo do cemitério, é o exemplo da Feira Livre, que foram planejados lá atrás para uma cidade, não do porte como está Serra Talhada hoje”, afirmou.

Giliard sugeriu que os vereadores aproveitem a discussão sobre as emendas impositivas para destinar recursos ao equipamento público.

“Eu faço uma sugestão: nós estamos na discussão das nossas emendas impositivas, que a gente possa alocar nossos valores para o município executar, que a gente possa levar essa proposta ao Poder Executivo. Nós queremos a solução resolvida, nós queremos que o cemitério seja ampliado, queremos que o muro seja organizado”, declarou.

O líder do governo também defendeu que a proposta seja apresentada à Prefeitura, com participação dos setores responsáveis pelo planejamento e pela análise jurídica.

“Eu faço a sugestão que, no próximo encontro com o governo municipal, em nome da Procuradoria, do Planejamento, a gente possa levar essa proposta de que traga um projeto e a gente vê se consegue alocar nossas emendas, seja conjunta, seja individual, para o cemitério, para que possa realmente sair do papel”, acrescentou.

Giliard argumentou ainda que a destinação coletiva de recursos poderia facilitar a execução da proposta, considerando as dificuldades que, segundo ele, existem para a aplicação individual das emendas.

Histórico de denúncias e divergências sobre emendas

A proposta de Giliard Mendes de reunir emendas impositivas dos vereadores para viabilizar intervenções no cemitério surge em meio a uma discussão que se arrasta há pelo menos três anos em Serra Talhada. Em dezembro de 2025, o Ministério Público de Pernambuco instaurou procedimento administrativo para acompanhar a destinação e a execução das emendas parlamentares no município, cobrando informações tanto da Prefeitura quanto da Câmara Municipal sobre os recursos de 2024, 2025 e 2026.

Na ocasião, também vieram à tona questionamentos sobre a falta de informações a respeito da aplicação de recursos indicados pelos vereadores. Em janeiro de 2026, o MPPE voltou a cobrar transparência e rastreabilidade, recomendando que a execução das emendas fosse suspensa caso as exigências legais não fossem cumpridas.

Nesse contexto, a sugestão apresentada pelo líder do governo durante a sessão desta terça-feira (3) também tem uma dimensão política: ao propor que os parlamentares destinem suas emendas para resolver os problemas do cemitério, Giliard coloca o Legislativo como parte do caminho para a solução de uma demanda cuja responsabilidade pela manutenção e conservação permanece com o Poder Executivo.