Próximo secretário de Saúde de Serra Talhada herdará denúncias, indicadores ruins e pressão do TCE e do MPPE
A renúncia de Lisbeth Rosa ao comando da Secretaria de Saúde de Serra Talhada abre uma nova etapa na administração da prefeita Márcia Conrado (PT). Mas, para quem assumir a pasta, o desafio será muito maior do que ocupar a cadeira deixada pela secretária. O novo titular encontrará uma estrutura pressionada por indicadores preocupantes, denúncias envolvendo contratos, cobranças do Ministério Público e apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE).
Um dos principais alertas veio da fiscalização do TCE sobre a política de atenção materno-infantil. No resultado específico de Serra Talhada, 66,7% dos itens avaliados foram classificados como graves, 28,6% como críticos e apenas 4,8% como moderados.
A fiscalização analisou aspectos como governança, estrutura das unidades de saúde e funcionamento das equipes responsáveis pelo acompanhamento de gestantes e crianças. No levantamento geral dos 22 municípios fiscalizados, também foram identificados problemas de infraestrutura, falta de medicamentos e falhas no acompanhamento pré-natal e infantil.
A Atenção Primária também apresentou resultados preocupantes. Serra Talhada apareceu na 105ª posição entre os municípios pernambucanos em um levantamento sobre os indicadores da área. Na avaliação da imunização, a pontuação caiu de 84,06 para 62,84, passando da classificação moderada para grave.
MPPE também cobra respostas
A pressão sobre a Secretaria não se limita aos indicadores. O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) instaurou procedimento para apurar problemas na cobertura dos Agentes Comunitários de Saúde.
Inspeções nas unidades do IPSEP III e da Malhada identificaram redução no número de profissionais, de sete para cinco em cada unidade. A situação foi relacionada à falta de acompanhamento regular de aproximadamente 3 mil famílias.
Denúncias de empresas fantasmas chegaram ao Conselho de Saúde
Outro episódio que marcou a gestão de Lisbeth envolve denúncias apresentadas pelo vereador China Menezes. O parlamentar questionou contratos e pagamentos da Secretaria e apontou supostas empresas fantasmas na prestação de serviços à Saúde municipal.
O caso chegou ao Conselho Municipal de Saúde, que solicitou documentos para aprofundar a análise, incluindo contratos, notas fiscais, empenhos e ordens de pagamento.
Em agosto, um requerimento para convocar Lisbeth a prestar esclarecimentos na Câmara foi rejeitado por 12 votos a quatro. Posteriormente, a Secretaria solicitou mais 45 dias para responder aos questionamentos.
As suspeitas ainda dependem de apuração e comprovação, mas o episódio ampliou a cobrança por transparência na aplicação dos recursos públicos.
Multas do TCE ampliaram o desgaste
Em outubro, outra decisão do Tribunal de Contas colocou a gestão no centro dos questionamentos. Ao analisar despesas com combustíveis e locação de veículos referentes a 2023, o TCE apontou R$ 2,7 milhões em valores questionados e aplicou multa de R$ 5.706,96 à prefeita Márcia Conrado e igual valor à secretária Lisbeth Rosa.
O Tribunal identificou problemas nos controles dessas despesas, mas não determinou a devolução integral dos valores questionados, diante da ausência de comprovação de prejuízo nesse montante.
Saúde virou pauta de disputa política
Outro episódio que colocou Lisbeth Rosa no centro de uma polêmica ocorreu em novembro de 2025. Na ocasião, o presidente da Câmara de São José do Egito, Romerinho Dantas, declarou que havia recebido assistência na área da Saúde em Serra Talhada e agradeceu a Breno Araújo e à equipe do município. Na mesma ocasião, confirmou apoio político ao projeto eleitoral de Breno.
O caso também teve desdobramento judicial. O ex-vereador Vandinho da Saúde informou ter acionado a Justiça contra Márcia Conrado, Lisbeth Rosa e Breno Araújo, apontando possível utilização da Secretaria para beneficiar moradores de São José do Egito.
O episódio ampliou os questionamentos sobre a relação entre a gestão da Saúde e as articulações políticas em torno da candidatura de Breno, que acabou eleito deputado estadual em outubro de 2026.
Leonardo Carvalho ou Tamires Brandão: quem assumirá o desafio?
Com a renúncia de Lisbeth, a atenção agora se volta para a escolha do novo comando da Secretaria. Dois nomes já apareceram nas articulações: Leonardo Carvalho, ex-diretor do Hospam, apontado como preferência da prefeita Márcia Conrado, e Tamires Brandão, atual secretária executiva de Saúde, que acumula aproximadamente quatro anos na função.
Independentemente da escolha, o próximo secretário terá uma missão complexa: melhorar os indicadores, fortalecer a Atenção Primária, ampliar o acompanhamento das famílias, responder aos órgãos de fiscalização e dar transparência aos contratos e despesas da pasta.
DO Júnior Campos
