Raquel Lyra articula base na Alepe, enfrenta impasse sobre empréstimo de R$ 1,9 bilhão e avalia mudanças no secretariado para 2027
Um dos principais movimentos é a reorganização das forças políticas na Alepe. PSD e PSB chegam à próxima legislatura com nove deputados estaduais eleitos cada um, enquanto o PP terá sete representantes e o Podemos contará com seis parlamentares. A nova composição abre espaço para negociações em torno da Presidência da Casa e da formação da Mesa Diretora, uma disputa que também envolve interesses do Palácio do Campo das Princesas.
A governadora Raquel Lyra, que reassumiu o comando do Executivo estadual após compromissos internacionais na Espanha e na França, terá pela frente o desafio de organizar sua base política e construir entendimentos com os deputados. A relação entre Executivo e Legislativo será determinante para a tramitação de projetos importantes e para a condução das prioridades administrativas do próximo ano.
Entre os assuntos que exigem atenção está o pedido de autorização para contratação de um empréstimo de R$ 1,9 bilhão. A proposta encontrou obstáculos na Assembleia, inclusive com pedido de vista apresentado pelo deputado Diogo Moraes (PSB), relator da matéria na Comissão de Constituição, Legislação e Justiça. O adiamento da discussão evidencia a necessidade de novas conversas entre o governo e os parlamentares.
Outro tema que entra no radar é a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027. A votação do orçamento será mais um momento de negociação política, especialmente diante da necessidade de conciliar as prioridades do Executivo com as demandas apresentadas pelos deputados estaduais.
Nos bastidores, também ganha espaço a discussão sobre possíveis mudanças no secretariado de Raquel Lyra. Lideranças que participaram da disputa eleitoral e nomes de diferentes partidos aparecem nas conversas sobre a composição política do governo. Entre os personagens citados nesse contexto estão Túlio Gadêlha, Eduardo da Fonte e Miguel Coelho. Até o momento, entretanto, não há confirmação oficial de nomeações ou de uma reforma administrativa com esses nomes.
A movimentação revela que a governadora terá de administrar não apenas as demandas administrativas do Estado, mas também os interesses das forças que compõem sua sustentação política. A formação de alianças e a distribuição de espaços no governo devem fazer parte das negociações para 2027.
No campo eleitoral, o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco também registrou movimentações importantes nesta terça-feira (3), com a retomada dos serviços de cadastro eleitoral, incluindo emissão de títulos, atualização de dados e regularização da situação dos eleitores. A data também marcou o prazo final para a entrega da prestação de contas do primeiro turno das eleições de 2026 por candidatos e partidos.
O que vem pela frente
Com a nova composição da Alepe definida, o foco agora se desloca para a disputa pelo comando do Legislativo, a reorganização do secretariado e a capacidade de articulação do governo estadual. A tramitação do empréstimo de R$ 1,9 bilhão e a discussão do orçamento de 2027 também estarão entre os principais termômetros dessa relação.
Em Pernambuco, portanto, a eleição terminou nas urnas, mas a disputa por espaço, influência e poder continua nos bastidores. E os próximos movimentos de Raquel Lyra e dos partidos terão impacto direto na configuração política do Estado para os próximos anos.
DO Júnior Campos
