Racha no PT: Convenção da Federação Brasil da Esperança expõe disputa entre aliados de João Campos e Raquel Lyra
A convenção estadual da Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB), realizada nesta segunda-feira (20), no Hotel Jangadeiro, no Recife, homologou as chapas proporcionais, confirmou a candidatura do senador Humberto Costa à reeleição e oficializou o apoio à pré-candidatura de João Campos (PSB) ao Governo de Pernambuco. No entanto, o ponto alto do encontro foi a exposição pública do racha interno no PT pernambucano.
Embora o tom dos discursos oficiais tenha sido de unidade, o evento deixou claro que uma parcela relevante da legenda segue dividida entre o projeto do prefeito do Recife e a relação política construída com a governadora Raquel Lyra (PSD). A fissura envolve, principalmente, lideranças como os deputados estaduais João Paulo e Doriel Barros, que mantêm canal direto com o Palácio do Campo das Princesas, em contraste direto com a ala que defende o alinhamento irrestrito ao PSB.
Tensão e ameaça de punição por infidelidade
Um dos pontos mais críticos do cenário envolve o vereador do Recife e presidente municipal da sigla, Osmar Ricardo. Mesmo integrando a federação que selou aliança com João Campos, o parlamentar já declarou que pretende se licenciar do partido para fazer campanha pela reeleição de Raquel Lyra. A atitude provocou forte reação interna e abriu brecha para discussões sobre eventuais punições por infidelidade partidária.
O retrato dos bastidores: Nos corredores, o esforço para minimizar o conflito foi contínuo, mas a divisão se sobressaiu. Análise da coluna Folha Política, da Folha de Pernambuco, assinada por Betânia Santana, destacou que a convenção escancarou as fissuras que os pronunciamentos não conseguiram esconder, evidenciando que o principal desafio da federação será costurar uma base que, na prática, caminha em direções opostas.
Enquanto João Paulo e Doriel Barros figuram como os principais expoentes da corrente petista resistente ao rompimento com o governo estadual, o grupo oposto exige engajamento total no projeto de João Campos. Essa disputa interna promete ditar os rumos e a intensidade do debate político ao longo de toda a corrida eleitoral de 2026.
