Seca: audiência pública alerta sobre impacto do pior El Niño desde 1950
A comissão de Agricultura da Alepe realizou nessa terça (27) uma audiência pública para debater o impacto do fenômeno El Niño em Pernambuco. O evento climático agrava a seca e a escassez do abastecimento de água nas regiões do Sertão e do Agreste. Durante o encontro, gestores públicos estaduais, prefeitos e representantes do Exército Brasileiro e do Banco do Nordeste discutiram ações preventivas e mitigadoras e a necessidade de soluções definitivas para o problema.
O presidente da comissão, deputado Luciano Duque (Podemos), alertou para os dados dos órgãos oficiais de monitoramento climático que apontam 95% de probabilidade do El Niño atingir intensidade muito forte até o mês de dezembro deste ano. Segundo esses órgãos, existe o risco deste ser o El Niño mais severo desde 1950.
O parlamentar falou também sobre o efeito da estiagem, sobretudo na vida de quem vive no Sertão. “Sou sertanejo do município de Serra Talhada, e sei o que significa viver em uma região onde a chuva não chega sempre e, quando chega, não é na quantidade que a gente precisa. Sei o que é ver uma família preocupada porque a água da cisterna está acabando”, contou.
O engenheiro da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), Clênio Torres Filho, destacou que o El Niño já está plenamente instalado e já provoca aquecimento progressivo no Sertão pernambucano.
Ações preventivas
O representante da Secretaria Estadual de Agricultura, Josimar Fernandes, e o coordenador do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, Elias da Silva, defenderam o reuso das águas utilizadas no abastecimento dos centros urbanos para a produção de forragem e alimentação dos rebanhos.
De acordo com Elias, estudos na bacia do Rio Pajeú identificaram um potencial anual de aproveitamento de 9 milhões de metros cúbicos águas usadas que poderiam ser convertidos efluentes tratados para reuso em atividades agropecuárias.
Como resultados da audiência pública, será formalizado pedido junto ao Congresso Nacional, ao Conselho Monetário Nacional e à Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) para a criação de uma linha de crédito especial destinada à mitigação dos efeitos do El Niño.
Do Júnior Campos
